sexta-feira, 3 de julho de 2009

INSÔNIA

Morfeu, Morfeu! Por que insistes em abandonar-me?
-Não me abandooooooooone!!

Ainda que o sol esteja a pino, agora que meu sonho está no auge
quero mais da irrealidade.

Oh! Deixe-me aproveitar mais um pouco dessa ilusão!
Morfeu, fica comiiiiiiiiiiiiiigo!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

DESCOBERTA

Percebi que não adianta implicar com a janela,
Ela jamais irá mostrar o que desejo ver!
.
Percebi que por mais que eu busque o teu rosto,
São sempre outros que surgem a me olhar!
-
Percebi que o tempo já levou muito tempo,
já é tempo de acordar!
.
Percebi que é preciso caminhar,
Pois não sou estátua para ver a vida passar pela janela!
Fotos: Vênus de Milo - Museu do Louvre

sexta-feira, 26 de junho de 2009

QUANTO BASTE


Seria interessantíssimo se a vida fosse como uma receita:


Ingredientes:


Quanto baste de tristeza para apreciar a alegria;

Quanto baste de saudade para curtir a presença;

Quanto baste de pesadelos para valorizar os sonhos;

Quanto baste de desencontros para priorizar os encontros;

Quanto baste de frustrações para propiciar satisfação;

Quanto baste de realidade para criar a fantasia!!!!


Modo de preparo:


Separe uma pequena porção de alegria, presença, sonhos e encontros para misturar e dar o formato de fantasia!!! Enrole a tristeza, a saudade, os pesadelos, os desencontros e as frustrações e deixe-os no gelo da realidade. Aprecie com parcimônia que o equilíbrio sempre é o segredo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O TEMPO TRAZ A MORTE E CONSOME O MUNDO

O mundo não é o mesmo faz tempo, mas somente hoje eu grito e alerto aos seus moradores:


-As pessoas não são as mesmas! Os vivos estão mortos! Mortos com um pouco do nosso mundo! Não se iluda, hoje há mais estranhos que no primeiro dia de aula de qualquer um! Não se iluda, o tempo é o mesmo, mas o mundo não! Ontem, hoje, amanhã? Nomenclatura! Quando o ontem foi hoje eu chorei, hoje eu choro e quando amanhã for hoje eu chorarei! E os mortos? Pais e o mundo! Avós e o mundo! Irmãos e o mundo! Entes e o mundo! Michael Jackson e o mundo! Mortos!


O mundo não é o mesmo!

terça-feira, 16 de junho de 2009

FICÇÃO TEMPORÁRIA

MONET, Claude. Water-lily pond, 1897

Além da janela há chuva, mas aqui há sol e flores. Não há rostos nervosos nem noites em claro, há ficção na tela. E nela há refúgio nestes dias tão duros. A ponte não oscila aos passos do pensamento, apenas os sustenta. As flores não se ausentam no inverno e tampouco o sol desaparece com o anoitecer, é sempre dia claro e quente e colorido, mas é também temporário e o horário passa e o tempo retorna e encontra a realidade na contramão.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

:-(




No porta-retrato, o riso. No passado, a alegria.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

SEGUNDO O AURÉLIO E A MANHÃ DE QUARTA-FEIRA


Esperar: vem do latim sperare, pode significar “aguardar” e é essa definição que me prende ao carro numa agradável manhã de uma recém inaugurada quarta-feira. Esperar 45 minutos passar! Espera planejada, livro camarada na mão e pensamento em revoada! Perfeito, a leitura não fluirá... O pensamento impede a concentração necessária para tal atividade e a grande inaceitabilidade de tempo perdido corrobora ainda mais para a desconcentração.


Ouvir: do latim audire e pode significar “Ouvir os sons de; escutar”. É por isso que não lerei! Eis o motivo para a desconcentração! Estou ouvindo todos os sons que chegam até meus ouvidos e escutando meus pensamentos que revoam.


Por isso uma música o precedeu. Não qualquer música, uma que eu gosto de ouvir, uma que fomenta a imaginação. Espero e escuto. E como a trilha sonora favorece, a expectativa aumenta: o motorista deve ser um espetáculo! Sim, uma boa música nos faz querer ver o belo... E o belo surge num Volkswagen branco, cantarolando e melhorando a visão inóspita que um estacionamento proporciona. 1,80 m, calculados a distância, distribuídos num corpo extremamente cuidado. Sem excessos, só harmonia. Cabelos levemente compridos, não mais que na altura dos ombros, moldavam um rosto digno de ser esculpido para apreciações da posteridade. O preto intenso de seus cabelos realçava os olhos incrivelmente azuis que encarei por instantes enquanto seus passos decididos e vigorosos o conduziram para longe de meu olhar.


Encarar: de en- + cara + -ar, “Fitar os olhos, olhando direto”. Instantes de confluência visual; sincronia pura e ingênua, apenas um leve faiscar visual. Diferentemente do flertar, que consiste em olhar intencionalmente, “namoriscar”, como diz o Aurélio. Encarar é espontâneo e instantaneamente estonteante.


A música, embora o som do Volkswagem estivesse desligado, continuava ecoando em meu cérebro e com ela meus pensamentos dispersaram-se. Outro rosto, outros olhos eram encarados e a vontade de levantar vôo e acompanhar o pensamento surgiu. Um desejo com roupagem de necessidade me consumia, assim como o relógio consumia o tempo e logo tudo cessou.


Cessar: do latim cessare. “Não continuar; interromper-se; acabar, parar”. Acabaram-se os 45 minutos e interrompeu-se o desejo de voar!
:-)