domingo, 2 de agosto de 2009

CONSTATAÇÃO!

Acabou! Ainda que as palavras permanecem escritas, a história acabou! Acabou quando a li completamente! Acabou naquele momento em que ela deixou de estar em meus pensamentos.
História breve... Instantes de ilusão. Rápidos encontros silenciosos e máxima concentração a cada nova página percorrida. Entretanto, história de páginas determinadas, numeradas conscientemente num enredo previsível e, como toda personagem após o fechamento do livro que a contém, de existência temporária.
As livrarias continuarão recebendo minha visita, no entanto nelas não espero encontrar um livro cuja personagem carregue tantas virtudes, apenas história cuja personagem seja autêntica e não somente represente.
Aquela história acabou... acabou justamente quando eu percebi que não seria uma história nova, apenas outras personagens interpretando um texto já batido.

sábado, 1 de agosto de 2009

DIÁLOGO...


Terráqueo diz:
Bom dia! Tudo bem, minha querida?


ALIEN diz:
Hoje o dia tá difícil, difícil...


Terráqueo diz:
Que pena. Eu gostaria de poder alterar essa sua percepção.


ALIEN diz:
Que nada... é coisa que dá do nada e assim mesmo passa... Do nada e para o nada! Tudo é nada! Absolutamente nada... O dia, o mundo... Nada, nada e não sai do lugar... nunca e nada!


Terráqueo diz:
Ok! Logo estarei contigo. Preciso levar algo?


ALIEN diz:
Cura instantânea para a gripe, um vidro de boas idéias, dois quilos de paciência para que eu possa agüentar este dia e 1/2 dúzia de dias perfeitos para eu gastá-los conforme a necessidade...
Só isso...


Terráqueo diz:
Vou providenciar tudo isto para você!!!


ALIEN diz:
Obrigada. Abrirei a porta com alegria.


Terráqueo diz:
Beijos!!! Até mais!!!


ALIEN diz:
Até. Beijo, beijo.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

INSÔNIA

Morfeu, Morfeu! Por que insistes em abandonar-me?
-Não me abandooooooooone!!

Ainda que o sol esteja a pino, agora que meu sonho está no auge
quero mais da irrealidade.

Oh! Deixe-me aproveitar mais um pouco dessa ilusão!
Morfeu, fica comiiiiiiiiiiiiiigo!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

DESCOBERTA

Percebi que não adianta implicar com a janela,
Ela jamais irá mostrar o que desejo ver!
.
Percebi que por mais que eu busque o teu rosto,
São sempre outros que surgem a me olhar!
-
Percebi que o tempo já levou muito tempo,
já é tempo de acordar!
.
Percebi que é preciso caminhar,
Pois não sou estátua para ver a vida passar pela janela!
Fotos: Vênus de Milo - Museu do Louvre

sexta-feira, 26 de junho de 2009

QUANTO BASTE


Seria interessantíssimo se a vida fosse como uma receita:


Ingredientes:


Quanto baste de tristeza para apreciar a alegria;

Quanto baste de saudade para curtir a presença;

Quanto baste de pesadelos para valorizar os sonhos;

Quanto baste de desencontros para priorizar os encontros;

Quanto baste de frustrações para propiciar satisfação;

Quanto baste de realidade para criar a fantasia!!!!


Modo de preparo:


Separe uma pequena porção de alegria, presença, sonhos e encontros para misturar e dar o formato de fantasia!!! Enrole a tristeza, a saudade, os pesadelos, os desencontros e as frustrações e deixe-os no gelo da realidade. Aprecie com parcimônia que o equilíbrio sempre é o segredo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O TEMPO TRAZ A MORTE E CONSOME O MUNDO

O mundo não é o mesmo faz tempo, mas somente hoje eu grito e alerto aos seus moradores:


-As pessoas não são as mesmas! Os vivos estão mortos! Mortos com um pouco do nosso mundo! Não se iluda, hoje há mais estranhos que no primeiro dia de aula de qualquer um! Não se iluda, o tempo é o mesmo, mas o mundo não! Ontem, hoje, amanhã? Nomenclatura! Quando o ontem foi hoje eu chorei, hoje eu choro e quando amanhã for hoje eu chorarei! E os mortos? Pais e o mundo! Avós e o mundo! Irmãos e o mundo! Entes e o mundo! Michael Jackson e o mundo! Mortos!


O mundo não é o mesmo!

terça-feira, 16 de junho de 2009

FICÇÃO TEMPORÁRIA

MONET, Claude. Water-lily pond, 1897

Além da janela há chuva, mas aqui há sol e flores. Não há rostos nervosos nem noites em claro, há ficção na tela. E nela há refúgio nestes dias tão duros. A ponte não oscila aos passos do pensamento, apenas os sustenta. As flores não se ausentam no inverno e tampouco o sol desaparece com o anoitecer, é sempre dia claro e quente e colorido, mas é também temporário e o horário passa e o tempo retorna e encontra a realidade na contramão.