quinta-feira, 3 de março de 2011

PALAVRAS INVISÍVEIS

"











                                             "

terça-feira, 1 de março de 2011

VIDA EM SUSPENSO

A ausência de poder impediu a livre escolha e a direção seguida conduziu uma vida ao labirinto do tempo alheio.

Agora os dias de perdimento se repetem,
se repetem e
se repetem.

Nada abranda o percurso, não há vontade nova para outros passos. A inércia fez o que está feito e nenhum dia chegará ao fim sem trazer a saudade de um dia que não existiu.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

HISTÓRIA DE UM DIA

"Histórias mudam sempre que são contadas." Vorin, Star Treck

O dia foi breve, mas muito vivi.
Não fiquei aqui, vi muito frio e neve.
E logo que as primeiras lágrimas aqueceram o rosto,
Instantaneamente percebi que a saudade tem gosto.

O dia teve nuvem, depois sol, outra vez nuvem e chuvisco grosso.
Teve ainda teu rosto, braços protetores, olhos falantes...
E eu, distante feito o Jardim Botânico em relação à Rua XV,
Não tão longe assim, mas quase em outro mundo.

O dia se resumiu na madrugada brevemente longa.
Adormeci depois da hora zero,
Acordei às três e dezessete,
Refleti mais de vinte e quatro meses e
Lá pelas cinco do novo dia deletei uma vida.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

OUTRO DIA

O tempo passava e ele esperava. Embora soubesse o que deveria fazer, esperava. A temperatura caíra consideravelmente, mas não era o frio de 5º que o fazia esperar.
Quando o relógio despertou ele continuava acordado vendo o tempo passar. Ouviu desinteressado o alarme, não o interrompeu, deixou-o à vontade naquela manhã.
Esperava porque a repetição que todo dia apresentava há muito não era estimulante. As únicas novidades diárias que se repetiam incansavelmente eram as oscilações de seu humor e do tempo. Ele esperava porque a desvontade de encarar outro dia o dominava.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

SEM PÉ, NEM CABEÇA

A tarde veio cedo, mas em outro tempo estive.
A infância já não existe, mas de novo vem o medo.
A cada lembrança despertada, um sonho e um pesadelo,
Até acordar e perceber que de real nada vi, mas senti.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

POVILÉU

Hemingway também escreveu em "PARIS É UMA FESTA", que "a única coisa capaz de nos estragar um dia eram pessoas, mas, se se pudesse evitar encontros, os dias não tinham limites. As pessoas eram sempre limitadoras de felicidade, exceto aquelas poucas que eram tão boas quanto a própria primavera." e com isso eu concordei, pois muitas vezes é melhor oportunizar desencontros e garantir um dia alegre. Ultimamente tenho tido a triste impressão de conhecer seguidamente pessoas limitadoras de felicidade, ou descobrir que até algumas que sempre conheci são desse tipo. Quer dizer, pessoas não, poviléu mesmo. Patuléia que só serve para aumentar a densidade demográfica, pois não acrescente nada diferentemente de um número no senso, mas incomoda! Espécie que parece viver apenas para se importar com a felicidade alheia, esquecendo que precisa buscar a própria. Seres vazios de ideias e de sensibilidade. Viventes demasiadamente patéticos, mas que alimentam obesamente ar denso de superioridade. Poviléu. Aos montes! Num mundo tão carente de pessoas.

Hunf...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PARIS FOI UMA FESTA EM MATO GROSSO

Sempre dizem que o Mato Grosso possui rodovias "retonas", distâncias generosas e extensa área agrícola e pecuarista, mas nunca ninguém comenta que o isolamento sentido ao passar uma temporada numa dessas áreas extensas, leia-se fazenda, pode gerar um estado de intensa depressão e desespero existencial. Por pouco não se pira!

Primeiro dia: plantação de soja, plantação de soja, plantação de soja, ema na plantação de soja, mangueiras (currais), piquete das ovelhas, área de pastagem, área de pastagem, área de pastagem, área de pastagem de novo e ao longe mais plantação de soja e ainda mais distante uma reserva indígena.







Segundo dia: mais do dia anterior.

Terceiro, quarto, quinto e sexto dias: tudo de novo, mais do mesmo e...

Uma imensa onda de irritação incomoda a alma de qualquer ser que esteja desacostumado à tranquilidade. Dias repetitivos, mesmos rostos acompanhando-os, apenas a tv aberta disponível, noites longas, tão demoradas que todo o sono é dormido antes de consumir 1/3 das mesmas, sonhos e pesadelos usados e todo o cansaço descansado e continua noite!

Só não foi mais difícil suportar o período de isolamento graças ao livro comprado para a viagem. O livro?! "PARIS É UMA FESTA", de Ernest Hemingway. Enfim, Hemingway transportou-me para Paris e estive com ele em cada situação relatada no livro. Se ele escreveu que era possível escrever sobre Paris longe de Paris, digo que foi possível estar em Paris permanecendo quilômetros e quilômetros distante dela. "Paris é uma festa" foi lido, relido e grifado, tudo para suportar os dias iguais.

Sétimo dia: não aguentando mais outro dia e contente com o final da reclusão, BR-070 e MT-130 foi a fuga do desespero!