Quando me deparei com um espelho refletindo outra pessoa, quebrei-o em tantos EUS que um dos cacos trouxe aquela que eu precisava ser de novo.
No reflexo encontrei um EU meu que há tantos meses ressonava, mas ainda existia.
Lembrei porque eu gostava de Iron Maiden, Guns e voltei a gostar.
Quando dias virgens pareciam sem graça e cheios de previsibilidades
Um EU de outros tempos resolveu ficar,
Modificar a rotina instaurada há muito e reformular o significado de viver.
"Infinite Dreams",
"Strange World",
"Street Of Dreams",
"Yesterdays" ou
"Breakdown"?!
ESCREVER PORQUE A MENTE DE REPENTE TRANSBORDA E AS PALAVRAS TRADUZEM A INQUIETAÇÃO OU QUIETAM O CÉREBRO.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
REALIDADES
Fiquei algum tempo buscando uma lembrança. Tentei lembrar a primeira vez que assisti um dos filmes da saga "Star Wars". Insisti nessa lembrança, mas não consegui encontrá-la, é como se não tivesse ocorrido a primeira vez. Concluí que devo ter assistido quando as lembranças ainda não eram registradas ou, de repente, tenha ocorrido alguma falha na manutenção daquela lembrança. Certo é que cresci querendo fazer parte daquele mundo espetacular, viajar entre um planeta e outro, enfim, conhecer diferentes mundos e civilizações. Certo é que após crescer, entendi que aquela realidade só era possível enquanto eu assistisse um dos filmes ou enquanto minha imaginação voasse solta e, ainda que eu preferisse o mundo da imaginação, era preciso também viver no outro mundo existente.
Portanto, decidi viver em duas realidades ao mesmo tempo, uma complementando a outra. Assim prosseguiria, entre um mundo e outro até encontrar a cura para a frustração.
terça-feira, 31 de maio de 2011
FORA DE LINHA
Hoje era dia de passeio, fomos visitar o Museu de Objetos da Humanidade. Saimos cedo do colégio acompanhados de um vento cortante, colegas tagarelas como sempre e de uma professora com cara de "pouco amiga". O percurso não foi demorado, mas suficiente para especular sobre o que veríamos.
Entretanto nenhuma cogitação chegou perto do que o museu guardava. O objeto que mais me chamou a atenção foi o que os antigos chamavam de cinzeiro. O guia explicou que tal objeto era utilizado para jogar a cinza de uma droga chamada cigarro. Tive grande dificuldade em compreender, pois realmente eu não tinha a mínima ideia do que fosse um cigarro, cinzeiro ou fumante! O guia então calmamente explicou que o tal cigarro era basicamente uma quantia de uma planta chamada fumo, enrolado em papel e fumante era o consumidor dessa droga. Achei tão estranho! As pessoas daquele tempo acendiam o tal cigarro, inalavam a fumaça levando-a até o pulmão, após alguns segundos expeliam-na e assim faziam repetidas vezes até restar o que chamavam de "bituca". O mais impressionante é que até lei antifumo existia, pois o hábito era extremamente nocivo e ainda assim as pessoas fumavam.
Mais confuso ainda foi ver um cinzeiro de cristal, pois brilho e transparência não combinam com hábito tão nocivo. De fato, certas coisas só dá para acreditar após conhecer!
segunda-feira, 30 de maio de 2011
EXCESSO DE OTIMISMO
Acordei exatamente na hora!
Levantei com o frio e a cerração
Num dia rotineiramente curitibano.
Gostaria de dormir mais 12 horas,
Entretanto era segunda-feira.
Então fiz mingau, mingau cor de rosa para colorir meu café e quem sabe a vida...
Levantei com o frio e a cerração
Num dia rotineiramente curitibano.
Gostaria de dormir mais 12 horas,
Entretanto era segunda-feira.
Então fiz mingau, mingau cor de rosa para colorir meu café e quem sabe a vida...
sábado, 28 de maio de 2011
COM PÉ E CABEÇA
Até aquela fatídica sexta-feira 13 as anteriores sempre foram apenas mais um sexto dia da semana para Verônica. Ainda que o noticiário da manhã tenha lembrado-lhe do alto teor supersticioso de tal dia e alguns colegas no trabalho tenham dito-lhe para evitar encontrar gato preto naquele dia, ela apenas rira das advertências que ainda lhe pareciam completamente fantasiosas. Entretanto a tarde reservava estranhos acontecimentos que alterariam totalmente sua percepção em torno do azarado dia.
Logo que entrou em seu condomínio encontrou um gato preto andando tranquilamente pela rua interna, como se o mesmo estivesse acostumado ao espaço. Assim que estacionou o carro em frente a sua residência, o gato pulou no capô, causando-lhe enorme susto. Verônica maldisse o gato e ao abrir a porta do carro o gato rapidamente desceu do capô e num zupt instalou-se no banco que ela acabara de ocupar. O gato praticamente voara para dentro tão rápido que mais uma vez assustara-a, provocando novos xingamentos enquanto retirava o bichano do veículo. Por fim, retirou-o, abriu o porta-malas, retirou a torta de ricota que sua mãe encomendara e entrou em sua residência.
Seu almoço transcorreu rotineiramente, muita conversa entre uma mastigação e outra. A sexta-feira 13 já estava esquecida e mal descansara da refeição seguiu para encontrar uma amiga, iriam ao cinema durante a tarde com o propósito de evitar filas e salas cheias nas sessões noturnas. Encontraram-se na bilheteria e esbaforidas seguiram para a sala, como estavam poucos minutos atrasadas chegariam durante a sequencia generosa de trailers. Entraram numa das portas que estavam abertas e tão rápido se acostumaram com a penumbra perceberam que naquela sessão todos usavam óculos e, como o filme delas não era 3D, retornaram tão rápido quanto entraram, haviam errado a sala. Verificaram no ingresso o número da sala e enfim entraram na sala correta.
Mais tarde, enquanto retornava para casa ouviu estranhas batidas vindas do porta-malas. O barulho era pequeno, mas incessante, forçando-lhe a estacionar o carro para verificar. Procurou um local com trânsito calmo, estacionou e desceu para abrir o porta-malas, sem imaginar o que encontraria enclausurado em seu interior. Assim que abriu o porta-malas um corvo saiu apressado e mudo, deixando-a atônita. Verônica respirou fundo, não tentou entender o que um corvo fazia fechado em seu carro numa sexta-feira 13 e seguiu com uma única certeza: alguns dias são bem estranhos.
Mais tarde, enquanto retornava para casa ouviu estranhas batidas vindas do porta-malas. O barulho era pequeno, mas incessante, forçando-lhe a estacionar o carro para verificar. Procurou um local com trânsito calmo, estacionou e desceu para abrir o porta-malas, sem imaginar o que encontraria enclausurado em seu interior. Assim que abriu o porta-malas um corvo saiu apressado e mudo, deixando-a atônita. Verônica respirou fundo, não tentou entender o que um corvo fazia fechado em seu carro numa sexta-feira 13 e seguiu com uma única certeza: alguns dias são bem estranhos.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
CONTINUIDADE
O tempo não muda,
Calo então a dúvida
E escuto, há mudança.
Silenciosa e implacável
Age e cria outra realidade.
Nem azar, nem sorte,
Só o fim de um mundo.
Calo então a dúvida
E escuto, há mudança.
Silenciosa e implacável
Age e cria outra realidade.
Nem azar, nem sorte,
Só o fim de um mundo.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
TERAPIA APÓS O ALMOÇO
O espaço em nada lembrava um consultório, nenhum divã para repousar o corpo enquanto a mente busca o descanso, nenhuma revista do ano anterior para poder relembrar os acontecimentos durante a espera do horário agendado, mas isso estava dentro da normalidade esperada para um banheiro, tudo naturalmente inexistente, exceto a terapia! Ah, ela estava ali, tal qual as duas cubas disputadas por 6 mulheres entre um desabafo e outro.
O tema da quinta-feira era o casamento, a difícil arte de administrar a dualidade enclausurada na unidade. Sujeitos, desejos, histórias e projetos de vida, percepções do mundo, tantas singularidades reunidas numa tentativa de reconstruir o mundo. Frustrações e a dificultosa ruptura.
-Em Curitiba devia existir um Oráculo de Delfos, assim poderíamos obter a resposta absoluta para nossas maiores dúvidas, exclama uma das mulheres.
-Minha mãe não é sacerdotisa de Apolo, mas diz boas verdades e tem insistido para que eu aceite o que a razão tenta mostrar-me, replica uma segunda.
-Hummmmm, não deve ser por acaso que nesse templo há a inscrição "Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo", não acham?!
-Meninas, a realidade não oferece respostas certas, é preciso fazer uso do livre-arbítrio e encarar as consequências, encerra a rápida sessão aquela que aparentava ser a mais experiente de todas.
Assim as seis seletas mulheres trocaram olhares de solidariedade e abandonaram o recinto já exausto de ouví-las.
Mundos existem além da visão, isso é certo...
Marcadores:
RESPOSTA CERTA; ORÁCULO DE DELFOS; CASAMENTO.
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